sábado, 10 de junho de 2017

A Profecia das Sombras

Título: A Profecia das Sombras
Autora: Rick Riordan
Série: As Provações de Apolo - #2
Editora: Intrínseca
Ano: 2017
Páginas: 336
Livro: Skoob
Sinopse:
Não basta ter perdido os poderes divinos e ter sido enviado para a terra na forma de um adolescente espinhento, rechonchudo e desajeitado. Não basta ter sido humilhado e ter virado servo de uma semideusa maltrapilha e desbocada. Nããão. Para voltar ao Olimpo, Apolo terá que passar por algumas provações. A primeira já foi: livrar o oráculo do Bosque de Dodona das garras de Nero, um dos membros do triunvirato do mal que planeja destruir todos os oráculos existentes para controlar o futuro. Em sua mais nova missão, o ex-deus do Sol, da música, da poesia e da paquera precisa localizar e libertar o próximo oráculo da lista: uma caverna assustadora que pode ajudar Apolo a recuperar sua divindade — isso se não matá-lo ou deixá-lo completamente louco. Para piorar ainda mais a história, entra em cena um imperador romano fascinado por espetáculos cruéis e sanguinários, um vilão que até Nero teme e que Apolo conhece muito bem. Bem demais. Nessa nova aventura eletrizante, hilária e recheada de péssimos haicais, o ex-imortal contará com a ajuda de Leo Valdez e de alguns aliados inesperados — alguns velhos conhecidos, outros nem tanto, mas todos com a mesma certeza: é impossível não amar Apolo.

1. O Oráculo Oculto
2. A Profecia das Sombras

Os livros do Rick Riordan são daquele tipo que você percebe que esteve morrendo de saudades logo que pega suas obras de lançamento em mãos. Depois de Percy Jackson, Heróis do Olimpo e Magnus Chase, eu estava ansiosa pelo segundo volume de Apolo, mas não saltitando pelos cantos. E aí, eu abri a primeira página... E o sorriso foi imediato. Só você mesmo pra ter uma escrita tão singular e incrível, tio Rick! Consegue animar qualquer um, mesmo enquanto fala sobre batalhas e morte.

Mas para você que ainda não se aventurou pelo mundo que Riordan criou, vamos explicar: Apolo foi castigado por Zeus e banido do Olimpo. Para retornar, ele precisará se provar digno disso. E agora, depois de conhecer sua senhora semideusa Meg e combater o mal com ela (e também perdê-la um pouquinho pro mal), Apolo está seguindo viagem com Leo Valdez e sua namorada, Calipso.

Logo que chegam à Nova York, seu destino, eles são barrados por seres extremamente educados que possuem olhos no lugar dos peitos e as orelhas nas axilas, chamados blemmyae. Eles também querem os matar. E no meio desse cenário, Apolo se vê tendo que tomar uma atitude, com Leo apenas de cueca de um lado, Calipso com a mão e o tornozelo possivelmente quebrados do outro, e Festus desligado, de volta à sua forma de mala. Bem ele, o grandioso Apolo, que sempre assistiu as guerras de longe, que simpatizava com semideuses dispostos a morrer por ele, teria que pensar rápido para tirá-los da enrascada.

E pra piorar, nem mais Apolo ele era direito! Ele é Lester Papadopoulos, o garoto gordinho e cheio de espinhas mortal e desprovido de poderes. Mas ele terá que servir.

Tentando escapar dos blemmyae, o trio acaba parando numa Estação Intermediária onde são acolhidos por Emmie e Josephine, duas guerreiras de cabelos já grisalhos. Mas como tudo que acontece com Apolo, não é a toa que eles foram resgatados. As mulheres tem planos para eles. Georgina, a filha delas, foi levada por Cômodo, um ex amante de Apolo que possui uma profecia terrível a cumprir. Além dela, os grifos e outros amigos da estação também sumiram. Fora Meg, que deixara Apolo para trás por conta do padrasto.

E, mais uma vez, eles vão em direção ao perigo. A sorte é que as duas senhoras são muito simpáticas e de fato acolhedoras, como mães, embora Apolo deteste os serviços domésticos que elas passam para eles, principalmente descascar cenouras.

De uma forma resumida, Apolo nesse volume irá ter como missão salvar os grifos, Georgina, os outros presos, os amigos, o mundo e, claro, salvar a si mesmo.

Na lista de coisas que me apavoram, garotinhas de sete anos que riam quando o assunto era morte estavam bem no topo, junto com repteis e armas falantes.

O modo como Rick Riordan constrói seus personagens é peculiar, o que pode agradar ou não os leitores. Como são livros com uma pegada adolescente, ele não pesa na narração. Na verdade, o que nos faz nos apegarmos e apaixonarmos pelos personagens é justamente o jeito meio bobo deles. Embora esteja retratando deuses gregos, Rick pega suas características, suas histórias, e tira sarro deles. Não tem como odiar nem mesmo os vilões.

Nosso querido Apolo aprende e cresce muito nesse segundo volume. É de imaginar que após milênios vividos, ele já tenha crescido o suficiente, mas não. É junto aos humanos, à bondade e altruísmo deles que Apolo passa a enxergar a vida com outros olhos. Ele nunca teve que pensar no futuro ou se iria sobreviver. Ele era imortal, e pouco se importava com algo além de sua música e beleza. Em várias passagens, ele faz comentários hilários sobre como deveriam estar saudando-o, deixando claro que sua personalidade convencida nunca vai deixar de estar presente. É o jeito dele, afinal de contas. Mas o melhor é que seus amigos não se deixam intimidar pela sua imagem. Talvez porque ele aparente ser apenas um garotinho, mas ainda assim, eles não pegam leve com ele, não. Pobre Apolo.

De tudo o que Apolo passa no decorrer da história, acho que o mais importante são as recordações. A memória humana tem uma capacidade muito menor de armazenamento que a de um deus, então Apolo vai se lembrando aos poucos do que viveu, de quem deixou de ajudar, incluindo seu próprio filho, e começa a ver o quanto errou. Não tem como descrever isso de forma diferente. Apolo vai se humanizando, algo muito bonito de acompanhar, por mais que não seja nenhuma mudança radical. São nuances que faz com que a gente se solidarize por ele.

Os personagens secundários são ótimos, sem exceções. Foi maravilhoso conhecer Emmie, Josephine e seus grifos amáveis, rever as caçadoras de Ártemis (incluindo Thalia Grace), acompanhar mais uma vez o Leo e Festus, e descobrir como Calipso está se adaptando à nova vida (fora as faíscas que saem entre ela e Apolo o tempo inteiro).

Só tenho elogios à Profecia da Sombra. Uma história repleta de ação do início ao fim, com personagens carismáticos e fortes que vão tirar risos e lágrimas do leitor.

Nota:


Sobre mim: Carolina Rodrigues, 22 anos, biomédica. Adora dançar e ir pra praia, mas o que a faz realmente feliz é poder passar um dia inteiro lendo, vendo séries, escrevendo histórias ou ouvindo música.

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